Home
  Estação ecológica
  Como denunciar
  Cadeia Alimentar
  Efeito estufa
  A floresta renasce
  Projeto Mata Atlântica
  Onde ficar
  Onde Comer
  Artigos ecológicos
  Lendas de Peruíbe
  Legislação ambiental
  Tourism ecologic
  Atlantic Forest
  Extranet
  Ecological station
  Crimes ambientais
  Conheça Peruíbe
  Trilhas / Caminhadas
  Sambaquis
  Patrocinadores
  Busca avançada
  Contato
WEBJuréia

Publicar no facebook

Atividade da celulase de fungos da EEJI

Atividade da celulase de fungos isolados do solo da Estação Ecológica de Juréia-Itatins, São Paulo, Brasil1 Cellulase activity of fungi isolated from soil of the Ecological Station of Juréia-Itatins, São Paulo, Brazil Marcelo J.S. Ruegger2; Sâmia M. Tauk-Tornisielo Universidade Estadual Paulista, Centro de Estudos Ambientais, Av. 24-A, 1515, 13506-900 Rio Claro, SP, Brasil

Atividade da celulase de fungos isolados do solo da Estação Ecológica de Juréia-Itatins, São Paulo, Brasil

Cellulase activity of fungi isolated from soil of the Ecological Station of Juréia-Itatins, São Paulo, Brazil

Marcelo J.S. Ruegger2; Sâmia M. Tauk-Tornisielo

Universidade Estadual Paulista, Centro de Estudos Ambientais, Av. 24-A, 1515, 13506-900 Rio Claro, SP, Brasil


RESUMO

Oitenta fungos filamentosos isolados do solo da Mata Atlântica da região conhecida como Banhado Grande, Estação Ecológica de Juréia-Itatins, São Paulo, Brasil, foram analisados para avaliar seus potenciais quanto a produção de celulases em resposta à presença de celulose, como única fonte de carbono, em meio de cultura. Foi utilizada a técnica de coloração com vermelho congo e determinada a atividades da celulase em papel de filtro (FPase) e em carboximetilcelulose (CMCase). Os fungos foram diferenciados quanto à atividade dessas enzimas, pois tais atividades variaram em relação ao tipo de substrato e à metodologia aqui utilizados. A melhor atividade CMCase (1,64 U) foi obtida com o cultivo de Trichoderma harzianum (V) em meio de farelo de trigo após cultivo por 4 dias, a 25 ºC. Os resultados obtidos não forneceram evidências para diferenciar qualquer linhagem que tivesse melhor atividade da celulase em relação às demais. Contudo, sugerem que estudos mais detalhados com as linhagens de Trichoderma: T. harzianum III e V, T. inhamatum I, T. longibrachiatum, T. pseudokoningii II e T. viride I, serão necessários para avaliar se estas são potencialmente boas produtoras de celulase, sob condições adequadas de cultivo.

Palavras-chave: atividade da celulase, fungos de solo, Mata Atlântica


ABSTRACT

Eighty filamentous fungi strains isolated from soil of the Atlantic rainforest in the Banhado Grande, an Ecological Station region of Juréia-Itatins, São Paulo State, Brazil, were analysed concerning their potential to produce cellulolytic enzymes in response to the cellulose presence in the culture medium, as the only carbon source. For this purpose, a staining technique using congo red was employed and the cellulase activity on filter paper (FPase) and carboxymethylcellulose (CMCase) were measured. The fungi were differentiated regarding the activity of these enzymes, because such activity changed with the substrate type and with the methodology used. The best CMCase activity (1.64 U) was obtained with the cultivation of Trichoderma harzianum (V) on wheat bran medium after 4 days, at 25 ºC. The obtained results did not supply evidences to differentiate any strain that had better cellulase activity in relation to the others. However, they offer information necessary to evaluate whether Trichoderma strains: T. harzianum III and V, T. inhamatum I, T. longibrachiatum, T. pseudokoningii II, and T. viride I, are potentially good producers of cellulase or not.

Key words: Atlantic rainforest, cellulase activity, soil fungi


Introdução

Na região do Banhado Grande, Estação Ecológica de Juréia-Itatins (EEJI), SP, Brasil, foram realizados estudos sobre fungos filamentosos de solo e da água (Attili 1994, Garlipp 1995, Grandi &ampamp; Attili 1996, Prada &ampamp; Pagnocca 1997), leveduras (Pinto 1999) e mais especificamente de Aphyllophorales (Tauk-Tornisielo et al. 2000) em diferentes áreas. Esses estudos contribuíram para melhor conhecimento da diversidade da micota nativa dessa região, que possui Mata Atlântica ainda pouco alterada pela ação antrópica.

Em geral, os fungos que decompõem substâncias celulósicas ocorrem no solo, colonizando vegetais, suas raízes e resíduos, com importante função de reciclagem de nutrientes. A atividade fúngica depende do conteúdo de matéria orgânica no solo, a qual determina sobremaneira a ocorrência e a distribuição desses organismos. O conhecimento da micobiota do solo, além de fundamental para o levantamento taxonômico das populações que ali se encontram, pode levar ao descobrimento de processos metabólicos utilizados por estes organismos tornando-se importantes para as interações ambientais e em aplicações biotecnológicas.

A celulose, dentre os materiais naturais, é o biopolímero mais abundante do mundo (Bayer &ampamp; Lamed 1992) e pode ser hidrolisada, com ácidos, a glicose. A degradação microbiana da celulose é total e específica e tem estimulado o uso dos processos de fermentações celulolíticas pelo homem. Na natureza, esses processos representam a maior fonte de carbono para o solo (Lynch et al. 1981).

A hidrólise da celulose por celulases resulta na produção final de glicose. Estas, porém, por serem proteínas, não conseguem penetrar com facilidade a barreira da lignina das células vegetais e, dessa forma, o difícil acesso destas enzimas às fibras de celulose constitui o principal problema para desencadeamento desse processo de degradação (Thiemann et al. 1980).

Na natureza, existe uma grande variedade de microrganismos que produzem celulases; apenas alguns são conhecidos como verdadeiros celulolíticos, isto é, são capazes de degradar a celulose natural. Em condições laboratoriais, algodão e papel de filtro, dentre outros, são usados como substratos indutores para a produção de exo-glicosidases e para medir a atividade do complexo celulolítico total (Robson &ampamp; Chambliss 1989).

Na indústria alimentícia, as celulases são usadas em vários processos, principalmente, na extração de: componentes do chá verde, proteína de soja, óleos essenciais, aromatizantes e do amido da batata doce. Essas enzimas participam, ainda, dos processos de produção do vinagre de laranja e do ágar e na extração e clarificação de sucos de frutas cítricas (Orberg 1981).

O objetivo deste estudo foi avaliar a atividade da celulase extracelular utilizando fungos filamentosos isolados de solo da região do Banhado Grande, na EEJI, comparando-se os cultivos em meio sintético com carboximetilcelulose, em caldo sintético contendo papel de filtro e em meio de farelo de trigo.

Material e métodos

Foram estudadas 80 linhagens de fungos isoladas por Garlipp (1995) do solo da região do Banhado Grande, na EEJI, SP, constantes da tabela 1. Os fungos, distribuídos em 19 gêneros e 47 espécies foram conservados em ágar extrato de malte (glicose: 20,0 g.L-1; peptona: 1,0 g.L-1; extrato de malte: 20,0 g.L-1; ágar: 20,0 g.L-1) a 4 ºC, no laboratório do Centro de Estudos Ambientais, CEA - UNESP, Rio Claro e repicados periodicamente. Todos os ensaios foram realizados em duplicata.


As linhagens foram cultivadas em meio sintético com carboximetilcelulose (CMC) como única fonte de carbono (NaNO3: 3,0 g.L-1; K2HPO4: 1,0 g.L-1; MgSO4: 0,5 g.L-1; KCl: 0,5 g.L-1; FeSO4.7H2O: 10,0 mg.L-1; CMC: 10,0 g.L-1; ágar: 20,0 g.L-1) e somente aquelas que não cresceram nesse meio (tabela 2) foram cultivadas em ágar carboximetilcelulose (KH2PO4: 1,0 g.L-1; (NH4)2SO4: 0,5 g.L-1; asparagina: 0,5 g.L-1; KCl: 0,5 g.L-1; MgSO4.7H2O: 0,2 g.L-1; CaCl2: 0,1 g.L-1; extrato de leveduras: 0,5 g.L-1; CMC: 10,0 g.L-1; ágar: 20,0 g.L-1