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Eco-Nomia
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Muitos erroneamente acham que as propostas dos ambientalistas sejam incompatíveis com a economia de mercado. Isto é uma inverdade, pois ao defendermos um uso sustentável da natureza, estamos preservando e aperfeiçoando o nosso modelo de desenvolvimento. De nada adianta ao homem ser dono de um planeta devastado, árido e sem vida assim como não faz sentido deixarmos de usufruir de suas riquezas em benefício do nosso conforto. A Ecologia busca estabelecer um ponto de equilíbrio visto que a nossa sociedade tem passado nas últimas décadas por mais uma de suas crises de valores, o que não deixa de fazer parte da nossa evolução dialética. A tecnologia aumentou a produção, mas se esqueceu de criar novos meios de controlarmos cientificamente a poluição, os impactos e a renovabilidade dos recursos. A falta de uma visão holística permitiu que o homem fizesse da técnica o principal algoz da natureza, aumentando também a sua dependência dela. Contudo, hoje não há mais saída deste mato sem cachorro de um outro jeito! É preciso usarmos todo o nosso potencial criativo em favor da recuperação do meio ambiente tornando-o lucrativo para que só em último caso precisemos conter o consumo. Necessidades como o Protocolo de Kioto que prevê a redução dos gases do efeito estufa, racionamentos de energia ou a falta de água para o abastecimento apenas demonstram o quanto nossa civilização foi falha na sua maneira de prever os resultados de suas ações desprezando a finitude planetária. Face à este desafio apontamos como solução a criação de commodities ambientais, a valorização de selos identificadores de marcas que obedecem à padrões ecológicos de produção, a ampliação dos benefícios para as reservas particulares do patrimônio natural, o ecoturismo controlado, as energias alternativas e a cultura como meio de sensibilização das massas. A idéia é que todas estas propostas citadas também se tornem economicamente auto-sustentáveis depois de alavancadas. Pois assim como as destrutivas guerras foram negócios rentáveis para alguns, nada impede que a ecologia seja um outro muito mais ainda e que promova o bem estar coletivo. Basta que façamos uma inversão de paradigmas.
Abaixo coloco algumas questões de relevância global das quais nós ambientalistas municipalistas devemos manter nossa atenção:
BIOTECNOLOGIA: É preciso que o movimento ambientalista passe a ver a biotecnologia como uma aliada da preservação dos ecossistemas naturais. Uma lavoura transgênica devido à sua maior produtividade reduz a área cultivada e a quantidade de agrotóxicos aplicados. Isso significa que mais florestas serão poupadas pela atividade agrícola assim como as águas e a vida silvestre serão menos afetadas pêlos herbicidas que são trazidos pelas chuvas. A saúde humana e o preço dos alimentos são beneficiados com esta tecnologia limpa. Contudo, é necessário que os órgãos oficiais atuem mais na informação do homem do campo imprimindo em nossa população rural uma mentalidade mais empreendedora e científica. O consumidor não pode deixar de estar informado pela rotulagem se o produto que ele leva para casa contém ou não organismos geneticamente modificados em sua composição. A liberação de cada transgênico deve seguir critérios rigorosos assim como é feito em países evoluídos tipo os Estados Unidos.
GLOBALIZAÇÃO: A globalização trás resultados muito positivos para uma economia abrindo inúmeras oportunidades de negócios, aumentando a renda e gerando mais empregos em países pobres. À longo prazo, levará os povos a derrubarem as suas fronteiras políticas constituindo um GOVERNO MUNDIAL, estimulando assim a paz e a cooperação mútua entre todos. A Área de Livre Comércio das Américas (ALCA) será o próximo passo para o Brasil e seus países vizinhos avançarem podendo se unir em um bloco que não é diminuto como o MERCOSUL. Todavia, a globalização não pode ficar restrita a alguns aspectos do desenvolvimento sob pena de se tornar prejudicial à coletividade. Em todos os acordos devem constar cláusulas laboristas, sanitárias e que protejam o meio ambiente afim de evitar, por exemplo, que empresas de atividades poluidoras aproveitem-se das fragilidades governamentais ou legislativas de um país conforme ocorreu com o México ao ingressar no NAFTA. Por isso, uma uniformização deve ser feita em vários sentidos poupando evidentemente as autonomias dos municípios em matérias de suas competências e as manifestações culturais de cada região que são importantes para a identidade do ser humano. Todas as forças da sociedade deveriam participar do processo globalizante com a apresentação de suas propostas e nunca romperem com ele. A implantação de uma globalização solidária será um desafio para todos nós!
AMAZÔNIA: Considerando que hoje em dia o mundo já destruiu suas florestas tropicais e os estoques de madeira dura asiática estão diminuindo rapidamente, não seria equivocado dizer que o Brasil tem a 'galinha dos ovos de ouro'. A Amazônia se for explorada com sustentabilidade abastecerá o mundo de madeiras entre outros produtos florestais por todas as gerações além de ser a solução para muitos males que assolam a vida da humanidade como a SIDA e o câncer. Deve o governo brasileiro atrair o INVESTIMENTO CERTO PARA O LUGAR CERTO abrindo mais espaços para que a indústria farmacêutica e empresas de biotecnologia tenham um acesso garantido à biodiversidade amazônica. Pois para extraírem os seus princípios ativos para a fabricação de remédios ou descobrirem genes para o melhoramento das sementes transgênicas, tais empresas precisarão mais do que nunca conservar a floresta viva porque interessa a eles. Assim, todas as áreas úmida de várzea deveriam ser destinadas ao estudo científico. No lugar do combate paranóico e ineficaz à 'biopirataria', deveria este país estimular mais pesquisas! Não digo pela estatização do conhecimento que só leva à uma estagnação, mas sim pela iniciativa empreendedora dos nossos jovens cientistas. As comunidades de floresta também podem ser incluídas nos diversos projetos desenvolvimentistas juntamente com as grandes corporações privadas cujas atividades forem compatíveis com a preservação ambiental. Tais companhias receberiam concessões sob determinadas áreas e ficariam responsáveis pelas ações sociais suprindo o papel do Estado em quase tudo que for possível incluindo a segurança, a educação, a habitação, etc. Só a aplicação da justiça e a fiscalização não seriam por conta dessas empresas. Já a pecuária, as monoculturas agrícolas, os garimpos e a derrubada intensiva das árvores seriam terminantemente proibidos na região. A atividade madereira continuaria mas de outra forma mais sustentável que seria o corte seletivo junto com o replantio de mudas, rodízio de regiões, inventário florestal e uso de alta tecnologia. Pois não há como preservar a Amazônia sem levar algum progresso para lá, mas deve ser de um modo diferente como foi implantado pelos militares nos anos 70 e 80 acompanhando desde já o novo paradigma.
POPULAÇÃO: As nossas necessidades já são superiores ao que a natureza tem a oferecer. Se todos os habitantes do globo tivessem a mesma facilidade de aceso aos bens de consumo que há nos países ricos precisaríamos procurar mais dois planetas. Por outro lado, a população continua crescendo nas regiões mais pobres dificultando que vários problemas sociais sejam sanados atingindo por conseqüência o meio ambiente. Afim de que tenhamos uma surpreendente qualidade de vida no futuro, não pode deixar de ser feito um controle da natalidade mais eficaz e que não venha a ferir os direitos humanos e a democracia. Nada de penalidades para quem ultrapassar um número X de filhos ou a hedionda prática do aborto! Os governos dos países pobres e em desenvolvimento teriam programas de esterilização voluntária reversível para ambos os sexos com amplo direito à informação e acompanhamento médico, psicológico e social. Mas só isso não basta, pois será necessário mais investimentos na área social incluindo a construção em massa de casas populares e uma renda mínima garantida. Porque enquanto houver a ameaça de fome e de miséria, o instinto previdenciário estimulará que os casais mais pobres aumentem as suas proles sem qualquer planejamento alimentando a falsa idéia de que os filhos poderão ampará-los na velhice. Indubitavelmente, a população mundial tem que ser reduzida ainda que tenhamos no futuro uma proporção maior de pessoas inativas e os governos tenham que sustentar os fundos de aposentadoria. Caberá então à tecnologia pelo aumento da riqueza prover o sustento dos inativos e dos desqualificados profissionalmente que se submeterem aos programas de esterilização. Atividades ocupacionais não poderão faltar mesmo que sem retorno econômico imediato sendo mais que oportuno o aproveitamento dessas pessoas em trabalhos voluntários, nas artes ou nos esportes.
CONCLUSÃO: Além desses grandes temas de cunho econômico e que tangenciam as questões ambientais, muitos outros poderiam ser aprofundados como o efeito estufa, a descamação do ozônio ou a gravíssima poluição gradual dos oceanos. Queremos deixar registrado que não há como solucionar os problemas globais sem uma AÇÃO LOCAL onde cada um deve fazer a sua parte. Seria leviano culpar governos ou grandes empresas e faltar uma análise crítica da própria sociedade. Todos nós somos responsáveis em maior ou menor grau pelo que acontece neste planeta estando nas nossas mãos o poder de mudar a história por mais que os desafios sejam muitos. Como dizia Martin Luther King, 'mesmo as noites totalmente sem estrelas podem anunciar a aurora de uma grande realização'.
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